5 de abril de 2014

Telita na Cozinha, Odisseias e uma bolo de polenta e rosmaninho



Quando me falam em viajar estou sempre pronta!
Tenho lindas recordações de viagens e passeios feitos com os meus pais. O meu pai adorava, (e adora), surpreender-nos com passeios. Uma manhã, eu devia ter uns 13 anos e estávamos nas férias do Carnaval, o meu pai e dirigiu-se a nós e apenas nos disse: meninas, (o meu irmão ainda era bebé), preparem uma mala com roupa quente para 3 dias... Mais nada! De repente estávamos em Espanha e pela primeira vez eu estava a ver e a sentir a neve. Foi um dos passeios inesquecíveis que fizemos... e outros se seguiram, como uma viagemn a acampar entre Espanha, França e Itália e nessa viagem a ida à Eurodisney. Em Agosto, no ano da sua inauguração (Abril de 1992)... já lá vão 22 anos!

 

E de repente aparece este passatempo da Odisseias, com quem a Telita na cozinha  fez uma parceria, não podia vir mais a calhar. Com o trabalho e rotina diária sabe bem sair a dois. Desanuvaiar o espírito, comer num lugar romântico ou mesmo experimentar um menu diferente.
Apesar deste passatempo não trazer propriamente viagens, trás outras coisas boas para aproveitar; três packs que podem fazer as delícias de um fim de semana a dois. Uma aventura a dois em paladares e gourmet. Afinal eu gosto mesmo é de petiscos e delícias :-)
E para completar o fim de semana apresento um bolo de polenta e rosmaninho. Diferente, mas delicioso!




 Bolo de polenta e rosmaninho

Ingredientes
450g de manteiga
225g de polenta (sêmola de milho)
1 colher de chá de fermento
450g de açúcar
450g de amêndoa ralada
6 ovos
raspa de 2 limões
3 colheres de sopa de rosmaninho picado

Syrup
sumo de 2 limões
50ml de água
2 raminhos grandes de rosmaninho
100g de açúcar

Preparação
Forrar a base de uma forma com papel vegetal, untar e polvilhar com farinha. 
Misturar a polenta com o fermento. No robot de cozinha bater os 450g de açúcar com a manteiga ligeiramente amolecida. Deverá ficar cremoso e leve.
À parte bater os ovos e adicionar a raspa dos limões. Juntá-los depois ao açucar e à manteiga.
Adicinar de seguida o rosmaninho bem picadinho, a polenta com o fermento e a amêndoa ralada. Ligar com a batedeira em baixa velocidade.
Deitar a massa na forma, (fica um pouco espessa), e alisar.
Vai ao forno a 170º cerca de 1h e 30m

Deixar o bolo descansar  na forma.

Preparar o syrup
Num tachinho deitar o açúcar e os 50ml de água, os ramos de rosmaninho e o sumo dos limões.
Mexer alguns segundos até dissolver o açúcar. Deixar ferver por 2 minutos.
Ficará espesso como um xarope.
Desenformar o bolo, retirar o rosmaninho da calda e verter sobre o bolo.




Como já devem ter percebido eu ADORO este pratinho :-)
Boa sorte para todos e para mim também, é claro.




1 de abril de 2014

Os esquecidos de Ribacôa no Dia Um... Na Cozinha




O Dia Um... Na Cozinha chega sempre de flecha. Passamos metade do mês à espera do que virá e a outra metade a puxar pela imaginação :-)
O tema deste mês é tão versátil e tão vasto, que temos todas as possibilidades de brilhar. 
Apesar do primeiro impacto ser sempre; "o que vou fazer!?", desta vez essa indecisão demorou muito pouco tempo. Bastou um telefonema para ter a receita de um doce típico da linda zona do meu sogro, Professor Dr. António Vermelho do Corral, um professor com uma experiência praticamente ímpar na realização de trabalhos de campo na vasta área das Ciências Antropológicas e Etnológicas, mas também da Sociologia Jurídica e Política.
Como já tive a oportunidade de provar estes biscoitos, aquando do lançamento dos seu último livro, ninguém melhor do que um Antrópologo para me indicar uma receita verdadeira da doçaria portuguesa.


Assim se chama a um dos principais doces que, por altura da Páscoa, se fazem na zona ribacudana, entre os rios Douro a norte, o rio Águeda e a ribeira de Toirões a leste e o rio Côa a oeste e sul, na Beira transmontana.
Outros tipos de doces que os acompanham são os «económicos» e os «biscoitos», tendo adquirido fama muito particular os «biscoitos de Escalhão», concelho de Figueira de Castelo Rodrigo, distrito da Guarda.
Os esquecidos têm uma apresentação muito bonita, são tentadores à vista e dispõem de um sabor muito agradável.
Quem come o primeiro fica ansioso pelo segundo e, necessariamente, tem de apreciar o terceiro.
Podem acompanhar leite, café, ou café com leite, sumos, simplesmente ingeridos como sobremesa, ou, o que é mais tentador, como saborosa gulodice.
Tomaram o nome de «esquecidos» porque a massa exige que seja muito batida, continuadamente, e durante tanto tempo que a pessoa até «se esquece» do que a está a fazer. E os movimentos devem ser feitos sempre no mesmo sentido e pela mesma pessoa, para não alterar o ritmo do bater e, quando a massa fizer bolhas, é indicativo de que está no ponto.


Os «esquecidos» eram feitos quase intencionalmente para o Domingo de Páscoa, quando da visita do padre a casa de cada um dos paroquianos. Apresentava-se sobre a mesa da sala um pequeno prato contendo, entre outros, os tão célebres e quão afamados «esquecidos», para o pároco se servir. Como não aguentava comer em todas as casas, «beliscava» um bocadinho de um deles, ou pegava-o e, quando chegava à rua, oferecia-o a um dos raparigos que geralmente acompanhavam o «compasso» na expectativa de serem também presenteados ou pelo padre ou por alguém da casa.


Esquecidos

Ingredientes
200 gramas de açúcar
300 gramas de farinha branca de neve (antigamente com farinha de trigo moída no moinho)
50 gramas de manteiga (Vaqueiro)
2 colheres de sopa de azeite
3 gemas de ovo
1 ovo inteiro (há quem tire a galadura)
raspa de 1 limão ou laranja (usei limão)
1 colher de chá de fermento
1 gema de ovo para pincelar

Preparação
Bater, primeiramente, os ovos com o açúcar, a manteiga e o azeite.
Juntar a farinha, raspa de limão ou de laranja e 1 colher de chá de fermento.
Bater tudo junto até a massa estar no ponto. É aqui que entra o bater muito até se esquecerem do que estão a fazer :-)
Unta-se um tabuleiro de lata ou de alumínio com margarina, polvilha-se com farinha e fazem-se os bolos individualmente com uma colher de sopa, eu fiz pequeninos, cerca de uma colher de chá, colocados no tabuleiro separadamente, de maneira a que não toquem uns nos outros com o crescimento durante a cozedura.
Tempo de cozedura: é aqui que reside o segredo. Depende da temperatura do forno, mas cerca de 15/20 minutos (os meus demoraram 16 minutos).
A massa fica pegajosa, mas é mesmo assim, eles depois espalham-se. Pode-se ir tocando com os dedos em farinha para empurrar a massa da colher para o tabuleiro. 



 "Bom proveito com três «esquecidos» tomados ao lanche com uma bela chávena de chá."
E um bom Dia Um... Na cozinha, para todos :-)

nota: provados e aprovados pelo sogro. Yupi :-)


26 de março de 2014

Bolo decadente de chocolate para o Dia Mundial do Chocolate


De há uns tempos para cá se ouve dizer a palavra "decadente" (estilo Rachel Allen), para caracterizar um bolo, uma sobremesa, um doce.
O engraçado, é que até agora nunca tinha achado necessária essa palavrinha para definir algo feito por mim.
Pois chegou a altura de a usar! Decadente... é mesmo o adjectivo certo para este bolo de chocolate!
Decadente porque faz qualquer um se render e fechar os olhos ao saboreá-lo. Decadente porque o sabor de chocolate e mel é tão intenso, que os sentidos se misturam todos num só, decadente, porque vemos a nossa dieta entrar em decadência... e porque tem uma ganache de chocolate DECADENTE...
É com este bolo decadente de chocolate, que celebro o Dia Mundial do Chocolate...e agradeço à minha querida Vi, Violeta Passat, pelos presentes oferecidos com tanto carinho :-) Obrigada querida.


Bolo de chocolate com mel de rosmaninho

Ingredientes 
2 ovos
250 gr de açúcar amarelo
1 colher de sopa de margarina
1 colher de sopa de café
sal fino
100 gr de chocolate em pó
1 pitada de canela
1 pitada de baunilha
2 colheres de sopa de mel de rosmaninho
2,5 dl de leite
200 gr de farinha
2 colheres de chá de fermento
Ganache de chocolate para cobrir
Maltesers para decorar

Preparação do bolo
Batem-se as 2 gemas com 250 gr de acúcar amarelo, 1 colher de margarina, o café, o sal e o mel.
Depois de engrossar juntam os 100 gr de chococolate em pó, a canela e o leite. Mexe-se bem, mistura-se pouco a pouco a farinha peneirada com o fermento e de seguida as claras batidas em castelo firme. Mexe-se apenas para ligar a massa e deita-se numa forma bem untada com margarina e polvilhada com farinha. Levar ao forno a 170º e não deixar cozer demasiado.


Ganache de chocolate

Ingredientes 
200g de chocolate culinária
200g natas
1 colher de sopa de manteiga à temperatura ambiente
1 colher de sopa de mel de rosmaninho 

Preparação 
Picar muito bem o chocolate e reservar. Aquecer as natas e quando estiverem bem quentes, tirar do lume e acrescentar a manteiga, mexendo até esta derreter. Deitar imediatamente (ainda quente) por cima do chocolate. Aguardar uns segundos, acrecentar o mel e mexer até que esteja tudo uniformizado.
Guardar em lugar fresco (não no frigorífico) e depois de frio bater com a vara de arames. Quando estiver firme cobrir o bolo. Decorar com maltesers. Picar alguns e deixar cair em chuva em cima do bolo.
 




Para quem se intitula chocolateaólica, informo que uma pesquisa efectuada pelos investigadores do Instituto de Neurociências de San Diego adiantou também que, para este doce alimento viciar, uma pessoa teria de comer muitos quilos de chocolate por dia...

 

Meninas, (icluindo eu!), deixemo-nos de massacres psicológicos intitulando-nos de chocolateaólicas, porque não sabemos o que dizemos!!! :-) 
Feliz Dia Mundial do Chocolate, divirtam-se e comam chocolate :-)



21 de março de 2014

Tartelettes de bacalhau e chegou a Primavera



Já faziam falta uns dias de sol. Uns dias com mais luz. Eu fico mais alegre com dias alegres. Já apetece vestir roupas mais claras. A lenha já fica esquecida no cesto e a lareira ficará limpa durante uns meses. Arrumam-se os cachecóis, as camisolas quentes e as botas. Tira-se um edredon da cama e usa-se um pijama mais fresco :-) 
Confeccionam-se comidinhas mais leves, com cores atractivas e sem problema de se comerem frias, por aqui umas quantas queixas de um marido que come tudo frio por causa de uma mulher que insiste em fotografar refeições e sobremesas :-)
Há dias em que apetece ficar na cozinha, esquecendo o resto da casa. Dias em que o sol entra pela grande janela e a cozinha fica alegremente iluminada. Há dias em que apetece vasculhar utensílios de cores alegres e meter lá dentro uma comidinha leve e agradável. 
Escolhi o bacalhau, o versátil bacalhau. Usado de 1001 maneiras, desde cru a cozido, assado, grelhado, estufado, quente ou friiiio :-) Enfim, não é preciso espremer muito a imaginação para apresentar uma refeição já quase primaveril.
Ora vejam:


Tartelettes de bacalhau

Ingredientes
2 bases de massa quebrada
2 chávenas de bacalhau previamente cozido e desfiado
3 colheres de sopa de cebolinho picado
3 colheres de sopa de coentros frescos picados
2 colheres de sopa de cebola frita crocante (usada nos cachorros)
150gr de queijo ralado
200ml de natas (usei de culinária)
Sal e pimenta qb

Preparação
Forrar as formas de tartelettes com a massa quebrada usando um cortante circular para facilitar. Numa tigela misturar todos os ingredientes. Adicionar, por último, os temperos a gosto.
Verter para as formas e levar ao forno cerca de 20 minutos ou quando dourar por cima.
Servir com creme de maçã, aproveitar o sol e fazer o primeiro piquenique do ano.



Bom apetite e bons passeios ao sol :-)


  

19 de março de 2014

O meu pai e o bolo de côco


Este bolo de côco podia ser um qualquer bolo de côco. Este bolo de côco não tem segredo, não há nenhum ingrediente espectacular, nem nada de extraordinário neste bolo, não fosse simplesmente e apenas o bolo preferido do meu pai e a receita da minha avó. Este bolo de côco deve ser igual a quase todas as receitas de bolo de côco, mas não deixa de ser o bolo preferido do meu pai e a receita da minha avó. 
Um bolo com história, desde que me lembro. Presença obrigatória na noite de passagem de ano. Todos os anos ouço o meu pai dizer: "quem faz o bolo de côco?"... quando estou, faço eu, claro, e o prazer que me dá vê-lo, ansioso, cortar a primeira fatia a seguir à meia noite. 


O meu pai; um professor do ensino secundário, com uma passagem por Angola (onde nasceu a minha irmã). Um óptimo professor. Sério e engraçado nas aulas, mas exigente o suficiente, para quem quis aprender e estudar. Premiado pelo Ministério da Educação por cada ano que não faltou (creio que só faltou uma vez, por causa de uma grande gripe)... Hoje dedica-se à fotografia, são lindas! Anda sempre com a máquina fotográfica a tiracolo, percorre todos os anos as Festas da Agonia em Viana do Castelo, tirando fotografias às lindas mordomas.  Escreve livros, romances, que dá à minha mãe para ler e ... guarda-os! Editou apenas um livro, a pedido da Câmara Municipal sobre a Rua Direita, a rua mais antiga da cidade onde cresci, Vila Nova de Famalicão. 
É para o meu pai este post, para celebrar o dia dedicado a todos os pais, foi para o meu pai, este bolinho. Os meus pais estiveram comigo uns dias, e não faltou o bolo de côco :-), preferido do meu pai e a receita da minha avó.
O bolo que é tradição e presença assídua em cada passagem de ano. Um bolo delicioso, húmido do qual não se consegue comer só uma fatia...


Bolo de côco

Ingredientes
250g de açúcar
2 ovos
1 chávena de margarina ou natas (retiradas de leite fervido)
1 pitada de sal
1 chávena de leite
50g de côco
300g de farinha 
1 colher de sobremesa de fermento

Preparação
Bater muito bem o açúcar com a margarina, ligeiramente amolecida e os ovos. Quanto mais bater mais cresce. Juntar o côco, o leite, o sal e mexer bem. Adicionar a farinha juntamente com o fermento e envolver já sem bater.
Vai ao forno a cerca de 170º em forma untada com maragarina e polvilhada com farinha. Verificar fazendo o teste do palito.


Um grande beijo para ti, meu pai, com todo o amor e sempre imensas saudades.


10 de março de 2014

Bundt (zebra) de espinafre e côco


O tema deste mês da bundtmania deixou-me pouco à vontade. Primeiro, porque o Carnaval não é das minhas festas predilectas, embora vá até à rua, diga adeus a amigos que passem, tire um monte de fotografias, mas meter-me lá é que não. Depois porque, na verdade, tudo o que é feito com efeito zebra, não me agrada especialmente :-(  embora ache as zebras um bichinho super fofo :-)
Mas...sem bundtmania já não passo e deixei-me levar por um bundt zebra, mas uma zebra "marciana" :-)
O Carnaval acabou, por este ano. Ficam os barulhos das buzinas, os gritos dos foliões, as crianças mascaradas, as bolinhas de sabão pelo ar e o cortejo a passar mesmo aqui, debaixo da janela.
Ficam para trás mais uns dias de férias. Passadas em casa, agora é a vez dos filhos quererem sair, quererem se divertir com os seus amigos. Agora é a minha vez, (como já foi dos meus pais), de ficar em casa aguardando a chegada deles (por enquanto só do mais velho), mas sempre com o coração pequenino, ansiosa pelo tocar da campainha. É claro que esse dia teria que chegar. Eles crescem e largam a saia da mãe, cada vez mais cedo... e temos que nos habituar à ideia... o sair à noite dos filhos!
E pronto, agora que já desabafei aqui as minhas preocupações de mãe, das quais tenho a certeza não ser a única, deixo aqui o meu bundt para as meninas da bundtmania, Lia, lemon and vanilla e Mena, as aventuras de uma mamã. Ou melhor; a minha tentativa de bundt zebra. Pode não estar muito zebra, mas que estava muito bom, estava :-)
O que acham meninas?


  
Bundt de espinafre e côco

Ingredientes
3 ovos
1 chávena e meia de chá de açúcar (usei amarelo peneirado) 
1 colher de chá de essência de baunilha
150 g de folhas de espinafres frescas, limpas e sem os talos
1/2 chávena de chá de azeite 
2 colheres de sopa de sumo de limão
1 chávena de côco ralado
2 chávenas de chá de farinha peneirada 
2 colheres de chá de fermento para bolos 
Açúcar de confeiteiro para decorar

Preparação
Untar uma forma bundt com manteiga e polvilhar com farinha. 
Ligar o forno a 180º
Começar por triturar as folhas de espinafre até estas terem a consistência de puré.
Bater muito bem os ovos com açúcar. Adicionar o azeite, a essência de baunilha e o limão. Desta mistura retirar cerca de metade para outra tigela e adicionar o coco. Na restante adicionar o puré de espinafre.
Das duas chávenas de farinha necessárias adicionar uma à mistura do puré de espinafre, peneirada juntamente com 1 colher de fermento. A outra chávena de farinha com a restante colher de fermento adicionar à mistura de coco. Peneirar igualmente.
Deitar uma parte da mistura de espinafre na forma e deitar em pequenas camadas uma parte da mistura de côco. Com um garfo rodopiar em volta de forma a fazer um efeito swirl. Deitar mais um pouco da mistura de espinafre e novamente a de côco até terminarem as misturas. Sempre rodopiando um garfo em volta da forma depois de adicionar a mistura de côco.
Vai ao forno durante cerca 30 a 40 minutos.Verificar com o teste do palito.
Depois de frio deitar uma chuvinha de açúcar de confeiteiro.


Boas "zebras" para todos e beijinhos às duas meninas.



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