19 de dezembro de 2013

O Natal de hoje, o Natal de ontem e uma árvore diferente



Um ano passou quase sem se perceber. E se no ano passado o Natal foi no frio do Minho, junto dos meus pais, sobrinhos e irmãos... uma casa cheia de crianças e de barulho, este ano será um Natal diferente. Será cá para a capital,  na minha casa, mas com o outro lado da família. Menos pessoas, menos barulho, menos crianças mas com a minha lareira, a minha cozinha e o meu aconchego.
O Natal na minha infância era mágico.
Todos os anos havia a romaria para a quinta de uma família amiga e vizinha, onde havia pinheiros. Mouquim. Uma aldeia no norte, perto de Famalicão. Lá íamos todos no carro do meu pai (mais do que a conta, mas na altura não era problema!), numa alegria louca, numa excitação saudável. Caminhávamos pelo monte acima e abaixo à procura da árvore perfeita (árvores), trazíamos sempre duas. Para nós e para a família amiga! A Dona Glória. Uma mãe coragem, viúva e com sete filhos. Os amigos de quem me lembro, desde que me lembro de mim.  Bem... queríamos mesmo era uma grande e se possível ainda com pinhas. E lá vinham as árvores em cima do carro e nós, (ao monte), sentados no assento.  
Em casa cheirava a verde, a monte, a natureza. Era o máximo!
Decorada com fitas, bolas e luzes, muitas luzes. Com presépio ao lado, de dezenas de figuras, esculpidas com rostos lindos, ovelhas, cabrinhas, o burro, as vaquinhas  e até um riacho com a lavadeira. Extraodinário presépio que ainda hoje é montado carinhosamente pelo meu pai. E eu não vou estar lá :-(
Até o hall de entrada é decorado.
Depois, já na minha casa, eu ia buscar a árvore a uns vendedores de rua e lá vinha eu a arrastar a coitada (mais pequena que na casa dos meus pais), por vezes molhada, empurrada para o assento de trás do carro...
A seguir veio a árvore artifícial, árvores simplesmente horrendas e sem espírito de natal nem magia  :-(  





Agora tenho uma bem diferente, diferente mesmo. Não é a tradicional linda árvore verde, mas gosto dela pela sua diferença e originalidade. É claro que preferia a árvore da minha infância...






 



Os presentes eram abertos só à meia noite. Ficava com os meus irmãos no escritório da casa, esperando com a minha avó, que passava connosco, a chegada do sr das barbas que descia pela chaminé. Depois do jantar jogávamos (e jogamos) o loto e perto da meia noite saíamos todos da sala e só deixávamos as luzinhas da árvore ligadas, para o Pai Natal poder ver os sapatinhos espalhados pelo chão. De repente os meus pais (imaginem!!!) tinham vontade de ir à casa de banho e nós sem perceber, por vezes nem queríamos deixá-los ir, não fosse o Pai Natal fugir e não deixar todos os presentes! Tudo pronto... entravam no escritório novamente, brincavam um bocadinho e... estava na hora! O meu pai arrastando o velho aquecedor a gás até à sala. Eu atrás dele a espreitar, com medo que o homem de vermelho ainda lá estivesse. A porta abria-se e somente com as luzinhas de cores da árvore de natal lá estavam os sapatinhos, cada um com um montinho de embrulhos coloridos e a esperança de serem os nossos desejos. Era tão emocionante!
Ainda hoje faço o Natal assim. Transmiti aos meus filhos o espírito do pai Natal, (até quando consegui ;-), o espírito do sapatinho no chão à meia noite. A fugida dos pais para a casa de banho, (que haveria de dizer???). E a excitação da abertura das prendas. O tempo para se brincar um pouco com elas e a magia do sono chegando com a felicidade de "dever cumprido". Para os pais que, apesar de algum esforço, conseguiram satisfazer os desejos e para as crianças que vêem que as suas cartas chegaram direitinhas ao Polo Norte. 
O Natal é magia. Eu gosto do Natal.



Um feliz Natal a todos.
Que haja muita paz e desejos realizados.





1 comentário:

  1. Enquanto puderes viver esse espírito aproveita...
    Um Santo Natal.

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