1 de junho de 2015

Cupcakes... e um conto, guardado na gaveta, para todas as crianças


Sempre gostei de escrever...
As ideias, ou inspirações, surgem quase sempre à noite, quando estou já deitada e não são poucas as vezes em que escrevo gatafunhos, às escuras, num pedaço de papel... tópicos para no dia seguinte completar um poema, ou uma história.
Hoje é o Dia Mundial da Criança e partilho duas coisas; Um conto, de 2011 e uns cupcakes que fizeram as delícias da amiguinha da minha Princesa Caracol, que passou o fim de semana connosco; a Maria.

Para todas as crianças, para o Dia Um...Na Cozinha e para todos os adultos que têm uma crianças dentro si, como eu :-), ofereço cupcakes e um conto. 
Um conto infantil, de muita amizade, sol, praia e cumplicidade.



Cupcakes de pepitas com cobertura de mascarpone

Ingredientes (inspirado daqui)
200 g de farinha sem fermento
1 c. e 1/2 de chá de fermento em pó
185 g de açúcar amarelo
1 pitada de sal
90 g de margarina amolecida
2 ovos L
1 c. de chá de baunilha
125 ml de leite meio-gordo
3 colheres de sopa de pepitas de chocolate

Preparação
Bater o açúcar com a margarina até obter uma mistura cremosa. Adicionar os ovos, um de cada vez, batendo bem entre cada adição. Juntar a baunilha
Misturar a farinha, o fermento e o sal e adicionar esta mistura em 3 vezes alternando com o leite, envolvendo com a colher de pau gentilmente
Juntar as pepitas  e cuidadosamente envolvê-las na massa.
Forrar o tabuleiro com forminhas de papel e dividir a massa pelas mesmas.
Levar ao forno a 180 ºC durante cerca de 20 min. Deixar arrefecer os cupcakes antes de os cobrir.

Cobertura (inspirado daqui)
250g queijo Mascarpone
100ml de natas para bater frescas (que sejam fortes)
90gr de açúcar em pó
2c de sobremesa de sumo de limão
Sprinkles cor de rosa

Preparação
Juntar todos os ingredientes e bater até ficar um creme macio preparado para saco de pasteleiro. Levar ao frio para solidificar um pouco, tendo o cuidado de tapar com película aderente.
Depois dos cupcakes arrefecidos, decorar a gosto usando um bico de estrela e um saco de pasteleiro.
Salpicar com sprinkles cor de rosa.

Estes cupcakes não seriam tão graciosos se não estivessem aconchegados numas forminhas lindas! Estavam aguardando uma receita especial e tenho a certeza que esta era mesmo a que eles queriam!
Obrigada querida Sandrinha That Cake Sweet. Eles adoraram-se :-)


E agora... toca a lambuzarem-se :-)









Conto

Três amigos


Esta história é uma história diferente das outras. Não começa por “Era uma vez”. Começa por “Eram dois amigos”.
 Eram dois amigos que viviam junto a uma costa numa cidade cheia de luz, cor, um mar imenso e uma brisa que fazia voar os cabelos das meninas, que eram todos compridos. Um lugar onde as pessoas eram todas amigas. Faziam muitas festas para conviver, e ajudavam-se umas às outras, sem pensar em recompensas.
Nessa cidade com nome de Sol, as crianças portavam-se sempre bem, iam à escola com sede de aprender, e amavam os pais, os amigos e os animais. Todas as crianças tinham um animal em casa para ajudar nas brincadeiras. 
Um desses meninos chamava-se José. Era um menino louro, com nuances no cabelo a parecer os raios de sol misturados com o castanho da terra, em forma de caracóis. Uns olhos doces e um sorriso alegre que quando o mostrava emanava alegria à sua volta. Era um menino cheio de vontade de conhecer o mundo. Usava sempre uma boina que nunca queria largar. Era custoso a professora conseguir convencê-lo que dentro da sala de aula não se podiam usar boinas.  
Apesar de ser um menino feliz, sentia-se limitado por ser muito pequeno e não poder viajar. Perdia-se muitas vezes a fazer desenhos de outros mundos imaginários, que ele trazia dentro da sua cabecinha de um menino de 12 anos. 
Para sua companhia tinha um animalzinho que fazia parte de si próprio. Um guaxinim sempre aos saltinhos, alegre como o José e com vontade de correr, correr. Parecia que, como o menino, queria conhecer o que havia para lá daquele mar azul e brilhante.
Ao lado do José, na escola, como colega de carteira estava a Maria. Uma menina de pele de seda muito clara. Um ar frágil, mas cheia de força interior. Tinha uns longos cabelos castanhos, a acompanhar os olhos de um brilho radiante. Também uma menina alegre, mas um pouco fechada na sua concha. Viera ao mundo num dia de tempestade, e todos diziam que ela queria ver o sol quando nascesse. Como não aconteceu ela ficou triste. Claro que eram histórias para justificar o seu ar sempre perdido nos pensamentos. No primeiro dia de sol do ano a Maria corria desenfreada para junto do mar e ficava horas a brincar com a areia fazendo-a escorregar pelos dedos e a cada movimento da areia o brilho dos seus olhinhos fazia sorrir o José que ia sempre atrás dela.
Num desses dias de sol, estavam os dois na praia a rir, a correr e a brincar, quando avistaram um barco pequenino que se aproximava da costa. O barquinho parecia vazio, porque não se via ninguém lá dentro. Maria e José esperaram que o barco chegasse à areia e correram para ele. Lá dentro estava um menino. Pele muito morena do sol, cabelos pretos e dormia profundamente. A roupa estava meio rasgada e o corpito muito magro. 
Os dois meninos assustaram-se com o que estava perante eles. Nunca tinham conhecido nenhuma criança com tanta falta de cuidado. Na cidade Sol não havia fome.
Ficaram sentados à espera que o menino acordasse, pacientemente. O sol estava já no fim do seu dia de dar luz à cidade quando o menino, finalmente, abriu os olhos, parecendo não saber onde estava. Quando reparou nos dois meninos ao seu lado recuou assustado. Fugiu do barco e correu ao longo da praia. Maria e José correram atrás dele. Mas o menino, como estava muito fraco, depressa se cansou e caiu. 
- Não se aproximem, olhem que vos posso magoar.
Os dois meninos ficaram espantados. Eles não conheciam violência e nunca havia meninos a lutar na sua cidade.
- Não queremos fazer-te mal! Como te chamas? De onde vens? Estás sozinho? És muito pequeno. Onde estão os teus pais?
As perguntas choviam e o menino moreno do sol nem conseguia fixar todas. 
- Calem-se. Não preciso de ninguém. Os meus pais à muito se foram e eu ando muito bem sozinho. Agora deixem-me sossegado.
- Não tens fome? - Perguntou a Maria.
- Tenho, mas sempre arranjo alguma coisa. - Disse o menino com ar despreocupado.
- Podes ao menos dizer o teu nome. - Disse José.
- Resolvi chamar-me Zás. Porque tão depressa estou aqui, como zás desapareço e já estou ali.
- É… Engraçado. - Disseram os dois meninos.
O momento do susto tinha acabado, e os três meninos começaram a andar pela praia a conversar. 
- Temos que ir para casa. São horas de jantar e costumamos estar à mesa todos juntos.
- Vocês não estão sozinhos? - Perguntou Zás
- Claro que não. Temos pais, família e amigos. Vivemos felizes, porque nos dão beijinhos e gostam muito de nós. E amanhã temos escola.
- Beijinhos, família, amigos, escola!... não sei para que serve isso. Só se for para nos prender. – Disse revoltado Zás.
- Tu não conheces a felicidade, pois não Zás? – Disse Maria
- Não. Ou se conheço é à minha maneira Eu ando sempre a rodar e só me preocupo em arranjar comida.
- Queres vir jantar connosco? Por acaso hoje há um churrasco na minha casa com os pais da Maria. - Disse José.
- Hum! Não sei. Ainda me expulsam porque estou muito sujo. Fazem-me sempre isso. – Ripostou Zás
- Aqui não! Nem penses! Somos todos amigos uns dos outros. Não tratamos mal ninguém. Nem sabemos como isso se faz. – Disse José.
Ainda a medo Zás acompanhou os meninos até à cidade. 
No jardim de José cheio de árvores, flores e algumas esculturas que José fazia usando madeira encontrada na praia, estavam já todos.
- Olá meus queridos. Chegaram mesmo a tempo de por a mesa. – Disse a mãe do José. Uma senhora com muita sabedoria.
- Mamã, trazemos um amigo para jantar.
- Nem pensem que me vão bater, vou já embora. – Disse Zás, antes sequer que a mãe pudesse responder.
- Claro José. Arranja uma roupa tua para ele. E venham comer!
- Não me vão expulsar? Posso mesmo ficar? – Perguntou espantado Zás. Se assim for, será a primeira vez que isso me acontece.
- Claro que não. Se não tens ninguém, como parece, podes ficar a viver aqui connosco. O José além do seu guaxinim não tem irmãos. Tenho certeza que adorava ter um como tu. – Disse o pai do José. Um senhor com uma barba que demonstrava anos de experiências.
- Fica Zás. – Disse José cheio de esperança.
- Será que desta vez posso ficar? Nunca tive quem me quisesse dar uma família, por isso era mau com toda a gente e fugia. – Disse Zás com uma lágrima a saltar dos seus olhinhos pretos.
- Ficarás para sempre. Só tens que prometer uma coisa. Que nos contas tudo o que viste por esse mundo fora enquanto andaste sem rumo.
- Tenho muitas histórias para contar, se quiserem ouvir. Posso contar uma por noite todos as noites do ano.
- Mamã posso vir todas as noites a casa do José antes de dormir? – Perguntou Maria.
Todos se riram. A mãe acenou que sim e foi um jantar como todos os outros na cidade Sol. Com felicidade, e um amigo novo. Seriam agora três amigos...
Finalmente o José iria viajar através das palavras de Zás.








Um feliz dia para todos os cozinheiros e para todas a crianças do mundo. Um mundo que deveria ser mágico, para que crescessem felizes...



27 de maio de 2015

Vamos fazer bolachas... fidalguinhos :-)


Os biscoitos fidalguinhos são típicos da região de Braga. Tiveram origem na doçaria conventual e integram o receituário do Convento da Nossa Senhora dos Remédios, em Braga. 
A sua forma, tipo perna cruzada,  é uma alusão ao estilo de vida dos fidalgos, que se caracterizavam por conseguirem atingir o que quer que fosse sem qualquer esforço. Uma sátira à vida parasitária dos nobres hereditários. 



E de lata com fidalguinhos, vou até ao Brasil.  Levo um bocadinho da história de conventos, de épocas passadas e do norte de Portugal. Ofereço à Manuela, Cravo e Canela - Uma Cozinha no Brasil, para o passatempo "Vamos Fazer Bolachas", desejando uma tarde alegre, entre amigos e chávenas de chá.






Fidalguinhos de Braga

Ingredientes
1 colher chá de canela
100g de açúcar
2 gemas + 2 ovos inteiros
300g de farinha com fermento
50g de manteiga
raspa de meio limão
canela e açúcar de confeiteiro para polvilhar

Preparação
Preparar um tabuleiro forrado com papel vegetal ou untado e polvilhado com farinha.
Peneirar o açúcar com a farinha. Juntar os ovos, as gemas, a manteiga à temperatura ambiente e em pedaços e a raspa do limão e a canela amassando muito bem. Deixar descansar durante cerca de 1/2 hora.
Retirar pedaços de massa e moldar rolos finos, sensivelmente da largura de um dedo mindinho, com um comprimento de cerca de 20cm. Os meus ficaram grossos porque gosto dos biscoitos não muito duros. Dobrar pelo meio e torcer a formar uma trança.
Colocar os fidalguinhos no tabuleiro, polvilhar com canela e açúcar de confeiteiro e levar a cozer num forno a 180º durante cerca de 15 minutos ou até dourarem.

Bom apetite




Boa semana. Boas bolachinhas :-)



25 de maio de 2015

Um dia na Quinta do Arneiro


E eu sigo coleccionando dias que vão deixando marcas, que enchem abundantemente o meu coração e que de certeza jamais esquecerei. Tanto com workshops, onde fiz amigos extraordinários, como encontros e passeios com um grupinho que amo e sem o qual já não passo, como fazendo "raves de culinária" que se vão distribuindo por casa de cada um. A segunda já aconteceu e em breve virá para aqui :-)
Mas hoje o dia foi verde e inesquecível. 
Neta de agricultor, a terra para mim vale ouro! E vendo hoje uma quinta onde as pereiras desaparecem no horizonte, onde as abelhas são rainhas e onde a fruta e os legumes biológicos imperam, faz-me recordar o tempo em que na quinta do meu avô reunia amigos para a apanha da pêra e antes disso ouvia as conversas do meu avô sobre a vindima, a fruteira e o lagar. Saudades das pêras e das vinhas da Serra de Montejunto, onde hoje crescem lindos, uns pinheiros. O orgulho da minha mãe.
A Quinta do Arneiro, situa-se no Concelho de Mafra e é definitivamente um lugar a voltar. Impossível esquecer a calma, a simpatia, a atenção de toda uma equipa representada por pessoas incrivelmente disponíveis, empenhadas e audazes. 
A companhia, os produtos e a organização transformaram um dia num flash memorável. Tomara não ter passado tão depressa! 
A quinta esteve movimentada até ao fim do dia com passeios de tractor, visitas ao apiário, às estufas e a compras no mercado biológico. A relva esteve sempre ocupada com crianças a brincar, concertos e sorteios. E eu... não queria vir embora!
Vejam aqui como foi tudo e não faltem numa próxima oportunidade, que eu também não :-)

Dia Aberto na Quinta do Arneiro





























Um dia delicioso, cheio de emoções e com a promessa de voltar :-)



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