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1 de abril de 2015

Folar da antiga Beira Alta... e uma recordação escondida


Há lembranças que vão ficando guardadas, escondem-se num cantinho da nossa memória e, de repente, um clic imprevisto trás tudo à frente dos nossos olhos. Acredito que essas lembranças estão reservadas para que nunca esqueçamos nada, para que possamos sempre saber quem já fomos e quem já passou na nossa vida!
Quantas vezes, apenas um momento, uma palavra ou um cheiro nos transporta para algo passado anos atrás. Acontece-me imensas vezes simplesmente vindo do nada, ver na minha frente um rasgo da minha vida!



Foi o que sucedeu com o desafio deste mês do Dia Um... Na Cozinha, quando me deparei com um folar, na minha pesquisa para o tema.
Quando eu era criança e adoecia, ou os meus irmãos, os meus pais chamavam um médico a casa. Era o Dr. Seara Cardoso. Um excelente médico que infelizmente faleceu bastante novo. Era casado com Leonor, uma senhora, filha de uma família distinta da antiga Beira Alta, hoje Beira Interior. Mais tarde, já viúva, foi minha professora no Ciclo Preparatório. Com o tempo os meus pais e a professora Leonor tornaram-se amigos, e eu dos filhos. Ainda hoje os meus pais e a Professora Leonor falam quase todos os dias.




Quando vi o nome do folar para pensei fazer, surgiu então aquela memória que estava escondida num cantinho; senti na boca o sabor que me lembrava a adolescência, do presente que Professora Leonor trazia sempre que visitava as suas origens. Era um folar de azeite de Fornos de Algodres. Vinha sempre acompanhado com o famoso Queijo da Serra, que fazia o meu pai ficar de olhos brilhantes mas que eu não gosto; não é preciso "baterem-me", fica mais para quem está ao meu lado, certo?  :-) 
O que eu adorava aquele folar, parecia-me sempre pouco. Chegava embrulhado num paninho, com manchas de azeite, caracterizando o que vinha delicadamente guardado lá dentro... 


É este o meu folar (salgado) preferido, que ofereço a todos os participantes do Dia Um... Na Cozinha. Vai numa trouxinha da Love Sweet Love e mostro mais uma forma de fazer um nó neste paninho delicioso e versátil. Espreitem aqui todos os produtos super fofinhos, em papel, cartolina, frasquinhos, tecidos... adoro!


Folar de azeite da antiga Beira Alta (hoje Beira Interior)

Ingredientes
120g de azeite de boa qualidade
50g de aguardente
100g de água
25g de fermento de padeiro fresco ou 2c chá de fermento seco
550g de farinha tipo 65
1 c chá de sal
4 ovos

Preparação (bimby)
Colocar no copo o azeite, a aguardente, a água e o fermento e aquecer 1m * 37º / vel 1
Adicionar a farinha e o sal e amassar 1m * vel espiga
A seguir programar 2m * vel espiga e ir adicionando os ovos um a um através do bocal da tampa. Deixar levedar num local morno cerca de 1.30h ou até a massa dobrar de volume. A minha não aumentou muito, mas cresceu depois no forno. 
Pressionar a massa no copo para que baixe o volume e amassar novamente mais 30s * vel espiga.
Pré aquecer o forno a 200º. Forrar um tabuleiro com papel vegetal e com as mãos untadas de azeite moldar uma bola. Dispor no tabuleiro e deixar descansar cerca de 20 minutos. Levar ao forno até dourar. Servir morna ou fria, acompanhada do maravilhoso Queijo da Serra.
nota:
A minha massa ficou pegajosa. Como não sei como é a massa na confecção original, também não sei dizer se será mesmo assim. No entanto ficou o sabor que me recordo e a aparência :-)

Preparação (tradicional)
Numa tigela deitar o azeite, a aguardente, a água e o fermento e mexer. Adicionar a farinha e o sal. Abrir um buraco no meio e deitar os ovos. Amassar e deixar levedar num local morno cerca de 1.30h ou até a massa dobrar de volume. 
Pressionar a massa na tigela para que baixe o volume e amassar mais um pouco. 
Pré aquecer o forno a 200º. Forrar um tabuleiro com papel vegetal e com as mãos untadas de azeite moldar uma bola. Dispor no tabuleiro e deixar descansar cerca de 20 minutos. Levar ao forno até dourar. Servir morna ou fria, acompanhada do maravilhoso Queijo da Serra.
nota: 
Não fiz esta versão.

Bom apetite

receita adaptada da revista "Bimby - Momentos de Partilha" - Março 2015





Um Dia Um... Na Cozinha excelente para todos os participantes. Uma Páscoa feliz, junto da família com uma mesa recheada de iguarias e amor. Um obrigada à Love Sweet Love por tanta simpatia.

Feliz Páscoa





23 de abril de 2014

Rochaforte, os folares, as bolecas de frutos secos, as mãos de uma menina a aprender e a Deolinda - 2º parte

Os melhores folares do mundo :-)
Este não é da D. Arminda. Foi feito noutra terra, mas a massa creio que é similar.



As bolecas de frutos secos.


Com bocadinhos da mesma massa dos folares, Rochaforte, (cheia de tradições :-), faz umas bolinhas recheadas com frutos secos, cuidadosamente misturados. 
- As passas estão muito caras, queixa-se a D. Arminda!
Mas nem isso a impede de fazer as bolecas. Pedidas por familiares no estrangeiro, a D. Arminda não consegue resistir aos pedidos e, carinhosamente faz umas quantas para enviar por correio.
Estas eu provei, já que os folares foram à conta para os pedidos de clientes. São deliciosas!


 
Simplesmente deliciosas :-)

A Iara é neta da D. Arminda e esteve todo o tempo entretida com uma bolinha de massa, que a certa altura já tinha mudado de cor :-)
Dava gosto ver o olhar orgulhoso desta menina, com cada figurinha infantil que fazia com a massa ;-)


 

E com o cãozinho perfeito da Iara me despeço até ao próximo ano. Espero que o forno da minha mãe esteja preparado para os folares que tenciono fazer.
Não foi usado desde que a nossa querida Deolinda (Lhi)deixou a aldeia. Temos muitas saudades dela, era uma pessoa querida por todos e para todos. Uma senhora simples mas de uma generosidade que poucos se podem orgulhar. Tenho a certeza que ela, lá no céu, aguarda ansiosa, que alguém use o forno onde ela fazia os folares para nós e nos irá abençoar.
Obrigada Lhi por tudo o que ensinaste à minha mãe, a nós e a toda a aldeia. Pelo amor e atenção que deste à minha mãe desde que ela nasceu. 
Nunca te esqueceremos.


Um beijo a todas as mulheres que continuam a manter as tradições nas aldeias e um beijo do tamanho do mundo para ti, Lhi.






20 de abril de 2014

Rochaforte, o folar da D. Arminda e uma tradição que eu não quero perder - 1ª parte


A D. Arminda é hoje a única habitante da aldeia de Rochaforte a fazer os folares típicos da terra. A minha querida Lhi (Deolinda) deixou de herança a sua sabedoria na arte de fazer estes maravilhosos folares, que são tradição na Páscoa, aqui numa aldeia da Serra de Montejunto, onde a minha mãe nasceu.
A D. Arminda, ensinada pela Deolinda, e com um amor dedicado, faz hoje os folares para todas a encomendas, desta quadra e são muitas! Até de Lisboa chegam pedidos :-) É a única a fazê-los, desde que a Deolinda nos deixou. São sabedorias que desejo muito que não se percam.
Passei a manhã com a D. Arminda e com a sua neta, a Iara, sempre ao seu lado entretida com uma bolinha de massa, tentando aprender o segredo de tão delicioso folar.
A massa foi feita logo de manhã cedo, mas começou a ser preparada na véspera!
 

Ingredientes


2kg de massa para 6 folares

500g de açúcar branco
500g de açúcar amarelo
500gr de farinha com fermento
1 1/2kg de farinha sem fermento
Raspa de 3 limões
6 ovos inteiros
1 colher de chá de canela (pode pôr-se mais, a gosto)
1 colher de chá de bicarbonato
1 colher de chá de fermento royal
1 cálice de aguardente
1 colher de sopa de fermento de padeiro
1 colher de sobremesa de fermento de padeiro
Água
Na véspera

Num tachinho desfazer a colher de sobremesa de fermento de padeiro num pouco de água. Juntar os 500gr (mais ou menos) de farinha. Ir juntando água aos bocadinhos até fazer uma bola húmida. Cobrir com a tampa do tacho e deixar a levedar até ao dia seguinte.

Massa levedada. Fotografia tirada na Páscoa de 2012, ainda pelas mãos da Deolinda


Preparação
No dia seguinte e usando um alguidar de barro, juntar todos os secos: de um lado do alguidar os açúcares e os ovos, (os ovos devem ser juntos no açúcar para não granularem na farinha). Do outro lado a farinha, o fermento royal, as raspas de limão, a canela, e o bicarbonato de sódio. Amassar tudo depois.
Desfazer a colher de sopa de fermento de padeiro num pouco de água e adicionar aos secos, seguido da massa levedada do dia anterior. Ir amassando muito bem deitando água morna aos poucos. 
a aguardente é a última coisa a deitar.
O resultado final depende das mãos que amassam. É nessa arte que reside o segredo.
São sempre necessárias duas pessoas. Uma para amassar e outra para segurar o alguidar, pois é preciso muita força.
A massa deverá ficar a despegar do alguidar. Deve descansar cerca de 3 horas dentro do alguidar salpicada com farinha e coberta com panos.
Depois do descanso fazem-se bolas de massa, sempre passando primeiro as mãos por farinha. Vai-se cortando a mesma quantidade com uma faca. Colocar as bolas numa bancada enfarinhada.
Colocar um ovo previamente cozido em cada folar e enfeitar a gosto.
Pincelar com ovo batido. Este trabalho foi feito pela D. Maria Alice.
A D. Arminda tem umas formas de inox que usa para colocar os folares. Forra o fundo com uma folha de papel pardo e polvilha com farinha.
Vão a cozer num forno a lenha que é aceso quando estão feitos cerca de metade dos folares.
Esta parte coube ao dedicado marido da D.Arminda, o sr. Onorato. Que cada vez que entrava na casa do forno soltava ais de contentamento, dizendo: Estão tão bonitos :-)






 





 
No final tapam-se com mantas e deixam-se assim, abafadas, até se comerem ;-)
Talvez para o ano seja eu a fazê-los, agora que aprendi :-)

Segue uma 2º parte.
Beijinhos e uma Páscoa feliz para todos. 



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