14 de outubro de 2014

Vamos Fazer Bolachinhas (improváveis)... e o que já não se faz



Desde que me lembro de mim, que me lembro do meu pai com máquina fotográfica a tiracolo.
Fotografias a preto e branco abundam em álbuns de solteiro com colegas da faculdade, em Angola já com a minha mãe. Depois com a minha irmã e o cão lindo que tinham, chamado Uambo. E já em Portugal,  comigo e ainda com o meu irmão. Todas reveladas por ele!
Lembro-me dele se fechar na casa de banho, colocar um pano preto na janela e uma luz obrigatoriamente vermelha. A única que podia estar acesa. Ninguém entrava sem primeiro perguntar!
Passei muitas horas com ele. O ampliador em cima da máquina da roupa. As garrafas dos líquidos, revelador e estabilizador (se não me engano) e o papel que o meu pai cortava em quadradinhos,  e que também este não podia apanhar luz.
O lavatório era onde aparecia a magia.
Eu adorava todo aquele processo. O papel fotográfico debaixo de uma "lente" que o meu pai tapava com as mãos e depois destapava, contava até 10 e voltava a tapar. Papelinho no líquido e como por magia, lentamente começava a surgir uma imagem! Nós num passeio, ou o meu irmão numa brincadeira! Depois passava pelo estabilizador e pendurava num cordel até secar. Chegou a revelar da minha máquina fotográfica, que ganhei com 12 anos.
Lembro muito bem todos os passos como se fosse hoje! Onde andará esse ampliador? Tenho que  lhe perguntar :-)


Hoje continua de máquina a tiracolo, mas a cores e digital. As máquinas antigas estão arrumadinhas, ficarão como recordação de tempos em que a fotografia era o que era e ponto final!
Hoje, com as suas máquinas digitais, vai fotografando tudo o que os olhos lhe chamam à atenção. Tira fotografias maravilhosas, todos os anos nas Festas da Agonia, às lindas mordomas, aos colares riquíssimos, ao fogo de artificio que faz sonhar...
De certeza que o meu gosto pela fotografia veio dele.


E pelo meio destas recordações vou fazendo bolachinhas para entreter o espírito e afastar as saudades de casa, de ser criança, e de um mundo em que as coisas tinham mais valor pelo esforço.
Faço bolachinhas para o Cravo e Canela, uma cozinha do Brasil. O passatempo doce de bolachinhas fofinhas da Manuela, querida, lá do país quente ;-)

Vamos Fazer Bolachas, recortadas?


Bolachas de café e orégãos 

Ingredientes
50g de margarina
50gr de açúcar amarelo
1/8 colher de chá de extracto de baunilha
1 colher de sopa de café bem forte
150g de farinha
1/2 colher de chá de fermento
3 colheres de chá de orégãos

Preparação
Bater a margarina até ficar cremosa. Adicionar o açúcar, a baunilha e o café e bater até ficar uma massa fofa. Misturar a farinha, o fermento e os orégãos e adicionar.
Fazer um rolo e deixar descansar cerca de 30 minutos. Estender a massa e fazer bolachinhas com um cortante a gosto.


Façam bolachinhas, preparem um chá e sentem-se no cadeirão envoltos em recordações LINDAS.




Bom apetite
Divirtam-se




9 comentários:

  1. Que bolachas tão lindas, acho que até tinha pena de as comer
    bjs

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    1. Obrigada São :-) Acredita que pensei o mesmo, ficaram tão mimosas 💛
      Beijinhos

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  2. Esse cortante de bolachas onde comprou, se faz favor?

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    1. Boa noite.
      O cortante foi comprado em Viana do Castelo numa loja de artigos para pastelaria.
      C

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  3. Bonjour Cláudia,

    oh e eu que ia perguntar do cortante das bolachas, já nem digo nada!!!!
    Ai que bolachas lindas, mas muito lindas nesse formato ficaram tão fofas, deixa estar que amanhã vou à cidade e já trato dele, foi naquela lojinha da rua para as antigas instalações das finanças não foi?
    Eu gosto muito das tuas fotos são sempre tão fofas e com objectos lindos, lá foste buscar essa tua veia ao teu pai, mas também acho que o gosto pelas mordomas vem dele:)
    Também já fui mordoma e todos os anos vou de meia-senhora lá com o chapéu nas festas da freguesia vizinha, sabes que a minha avó sempre me quis oferecer um fato de domingar e eu feita "naba"(falando à vianense) dizia-lhe que não? Alugávamos sempre, achava que era muito dinheiro mas hoje arrependo-me muito, gostava era de colocar o babete cheio de ouro,ainda é o que mais gosto de ver principalmente as custódias, já estou com saudades das festas.
    Acho que um dia ainda vamos desfilar na avenida, nem que seja no cortejo etnográfico!!!!
    Manda-me uma bolacha que eu mando-te uma bolinha.

    beijinhos grandes querida

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  4. Adorei a história... e as bolachas... lindas! E com sabores improváveis, de facto! :)

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  5. Não sou apreciadora de café, mas as bolachas ficaram tão lindas que era bem capaz de experimentar!

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Obrigada por andarem por aqui. São sempre bem-vindos.

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